Quando George Orwell escreveu o assustador romance 1984, em 1948, não poderia imaginar que já no ano em que ele projetava um mundo controlado por um ditador único – o Grande Irmão (Big Brother) – haveria a explosão da propaganda e do marketing como o elemento de maior destaque na ideologia, ou seja, o conjunto de mecanismos representativos das ideias dominantes em certa época. Hoje, a propaganda até superou a política e a religião e passou a servi-las. Marketólogos e publicitários são apresentadoscomo os novos sacerdotes da época, demiurgos capazes de operar milagres, indo direto aos corações e mentes do público e manipulando-os para comprar seus gadgets, quinquilharias, candidatos e visão de mundo. É mais que justa, nesse contexto, a preocupação do legislador brasileiro no sentido de buscar o máximo de controle da propaganda sobre as mentalidades influenciáveis das crianças e adolescentes, aos quais se está vendendo inutilidades como se fossem necessidade importantes para a vida e a cultura. A tentativa de controlar a publicidade dirigida a crianças de até doze anos está em curso na Câmara dos Deputados com uma proposta em apreciação que proíbe a propaganda dirigida a crianças de até doze anos, em qualquer horário e por qualquer suporte ou mídia. Trata-se de um substitutivo que também veda a comunicação mercadológica dirigida ao público infanto-juvenil. Pode-se ter uma ideia da dificuldade para aprovar uma lei com tamanha capacidade restritiva ao se saber que se trata de um projeto de lei apresentado pelo deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) que, depois de muitas marchas e contramarchas, cumpre já sete anos de tramitação. Parece que agora as coisas estão mais aceleradas, pois o projeto foi aprovado pela Comissão de Defesa do Consumidor em julho, para no finalzinho de setembro entrar nas cogitações da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Comércio e Indústria (CDEIC) da Câmara. Por mais que se tenha tentado desqualificar o projeto, acusado de ser restritivo à liberdade, o fato é que ele se torna necessário sob pelo menos dois pontos de vista. Primeiro, trata-se de defender a economia familiar, que não tem como arcar com os custos de todas as geringonças pseudotecnológicas e lixo alimentar vendidos pela indústria de produtos supérfluos voltados ao segmento. Depois, trata-se de proteger a criança das trucagens “big-brotherianas” acumuladas pelo desenvolvimento da técnica publicitária. Entregar as crianças a essas trucagens é desonestidade, pois as crianças devem ter o direito de não sofrer a ação deliberada dos adultos de enganá-los com produtos de discutível qualidade. Deve caber aos pais decidir como gastar o dinheiro da família, sem que as crianças sejam usadas como aríetes dos interesses econômicos para minar a renda familiar. Não é luta fácil, pois há muitos interesses financeiros envolvidos, mas é responsabilidade do homem público estabelecer controle e disciplina, especialmente quando se trata de proteger as crianças e os adolescentes de se tornar presas fáceis para a imposição de ideias e costumes que possam induzir a maus hábitos, com prejuízos ao aprendizado e à saúde. Não importa quanto ainda seja necessário lutar, mas é preciso que o projeto do deputado paranaense se torne lei, em defesa da criança, do adolescente e do conjunto familiar.
Acadêmico: Diego Garcia de Oliveira - 2ºPeríodo PP-FAG

Na minha opinião, acho desnecessário ser criada uma lei que proíbe o exercício do trabalho publicitário sobre a "criançada". O fato do público alvo ser crianças de até 12 anos, que vivem comprando "inutilidades" como citado na matéria, não é culpa das propagandas, se são crianças de 12 anos aposto que elas não trabalham, portanto não recebem salário, esse dinheiro vem de seus pais, que por sua vez, não devem estar preocupados com o que irão fazer com a grana. Estas crianças estão maior parte do tempo envolvidas com a TV, ou na internet, que devem ser fiscalizadas pelos seus pais. O publicitário, não força ninguém a comprar seu produto, nosso papel é mostrar as vantagens dos produtos e vendê-los. Daqui uns dias irão proibir propagandas de cervejas onde mostram mulheres "gostosas" porque há grande risco de um hipertenso ou um senhor sofrer parada cardíaca! Imaginem só, seria desastroso se não fosse cômico. Nosso país deve mudar este conceito de ver a manipulação que exercemos.
ResponderExcluirAcadêmico: Diego Garcia de Oliveira - 2º Período PP - FAG
se eu entendi bem, estao culpando a publicidade por uma criança estar, desde pequena, totalmente envolta no sistema capitalista, onde o que importa é comprar e gerar lucro...
ResponderExcluirnao acho que a lei adiantará alguma coisa. as crianças hoje em dia estão a frente de muitos adultos, já vi crianças menores de 12 anos usando o computador tao bem ou melhor do que eu.
sera que proibir a propaganda direcionada as crianças realmente vai melhorar a economia familiar e proteger as crianças de todas as influencias ao seu redor?
como ja esta sendo discutido em algumas aulas, a publicidade nao tem tanto poder a ponto de realmente manipular alguem.
a impressao que dá sao deputados querendo interferir em assuntos que nao conhecem...
Edmar Prigol
Pois é, até os 12 anos a criança não sabe distinguir as propagandas, estas não estão prontas para consumir, a propaganda exerce sim grande influência sobre os potenciais consumidores, diz ainda Isabella Henriques, coordenadora geral do Projeto Criança e Consumo,da Fundação Alana, diz que os pais não tem força suficiente para combater a indústria da propaganda, por causa da persuasão e atividade, sendo que a todo momento e todos os lugares a propaganda se faz presente com modelos mirins de TV e brinquedos chamativos entre outros.
ResponderExcluirO Deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) criador do projeto, diz que 90% das crianças que assistem estas propagandas não tem poder aquisitivo para comprar o que é ofertado, aí as crianças ficam frustradas e ficam em conflito com seus pais, já que a propaganda afirma o que os pais negam.