terça-feira, 18 de agosto de 2009

A herança difusionista na Comunicação

Difusionismo é o termo empregado para designar várias linhas teórico-metodológicas, de orientação funcionalista, surgidas nos Estados Unidos, a partir da década de 1940, sob o nome diffusion research, voltadas para a difusão de inovações tecnológicas no campo.
Historicamente, o difusionismo apresenta três versões sucessivas – Modelo de Difusão, Modelo de Programa de Pacotes e Modelo de Inovação – que contemplam desde a simples transmissão de mensagens até a comunicação com e entre todos os níveis de um país em processo de desenvolvimento agrícola. Influenciado no início pela Sociologia Rural, o difusionismo incorporou, na década de 1960, os estudos de Comunicação Social (KEARL, 1987).
No âmbito da Sociologia Rural, o difusionismo possui origem remota nos community studies (estudos de comunidade), desenvolvidos nos Estados Unidos para investigar a crise agrícola desencadeada pela Guerra Civil Americana (1861-1865). O arcabouço teórico desses estudos era fornecido, principalmente, pela obra do sociólogo alemão Ferdinand Tönnies (1855-1936), cujas idéias levaram à crença na existência de um continuum rural-urbano.
Após a Segunda Guerra Mundial, o processo de modernização tecnológica e a mercantilização das relações sociais no campo solaparam a base social e econômica da dicotomia rural-urbano. Desafiada pela nova realidade agrária, a Sociologia Rural norte-americana redirecionou seus esforços para a difusão das novas tecnologias e o estudo de seus impactos sobre os indivíduos. Com o desenvolvimento do difusionismo, o trabalho do sociólogo passou a ser concebido como um misto de pesquisa, assistência social e extensão rural.
Entretanto, no início dos anos de 1970, a diffusion research já havia se tornado alvo de diversas críticas nos Estados Unidos. Uma delas refere-se a seu caráter excessivamente institucionalizado, em que técnicos agrícolas e burocratas definiam os objetos de pesquisa e a prioridade dos assuntos a serem investigados. Outra crítica, relacionada à anterior, era que o sistema de pesquisa agrícola estava estruturado para beneficiar as grandes corporações e agroindústrias e não a maior parte do público interessado, que seriam os agricultores (SCHNEIDER, 1997).

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