Bom, acho que o melhor que tenho a fazer, antes de postar qualquer reportagem, é um relato verídico sobre a gripe suína, por alguém que acompanhou isso desde o começo até o final no México, e a continuação dela no Brasil, ou seja, EU, pois como vocês bem sabem eu fiz intercâmbio para o México, por meio do Rotary, com duração de 1 ano "rotário" (como eles dizem), de julho a julho.
26 de abril desse mesmo ano, domingo. Era pra ser só mais um domingo familiar chato. Acordamos as 10am para comer carne de cordeiro com molho de pimenta no café da manhã e voltamos a dormir até as 2pm, que foi a hora que levantamos para ir comprar o típico frango assado de domingo. Até aí tudo bem, o dia seguia preguiçoso, totalmente normal. Nos sentamos todos na sala, em frente a TV, e começamos o almoço. Não tarda muito para todos pararmos de mastigar e olhar com estranhamento, também aguçando o ouvido, para a tela da televisão. O presidente em rede nacional, no canal e no horário de maior audiência?! Ele falou de um novo vírus, recém descoberto e sem cura. Cancelou as aulas até o dia 4 de maio, ou até novo aviso, cancelou a Feria Nacional de San Marcos (uma feira de nível mundial com duração de 1 mês), pediu o uso constante de máscara e pediu para evitar sair de casa, contato e aglomerações.O pânico foi total. Fiquei uma semana sem sair de casa, e não gostava que entrassem e saíssem ou que não-familiares fossem lá. Pensei até em terminar meu intercâmbio antes, como muitos. O apoio e a confiança da minha família do Brasil foi total, independente de qual fora minha decisão, e minha família mexicana estava disposta a fazer qualquer coisa para que eu ficasse. Incontáveis foram as vezes que me levaram ao médico (pelo menos 1 vez por semana), por minha dor de cabeça constante de preocupação (dor de cabeça era considerado sintoma) e para o médico repetir outra e outra vez que não era bem assim.Muita confiança nas palavras do médico, máscara posta e álcool em gel na bolsa. Criei coragem e saí de casa. A imagem que vi era no mínimo preocupante. A ausência de visão de bocas e narizes era assustadora. Eram muito mais máscaras, de todos os tipos existentes, do que o cérebro podia registrar. Não foi a toa que os estoques de máscaras das farmácias da minha cidade, e de muitas outras, acabaram em uma semana. Também não foi a toa o preço absurdo a qual estavam sendo vendidas. De 0.70 centavos de peso mexicano a 6 (R$ 0,15 - R$ 0,85). Muitos usavam até luvas, para os taxistas e usuários de transporte público era obrigatório. Todos os cuidados pareciam poucos, afinal, até o momento não havia cura e os mortos por culpa desse novo vírus passavam de 100.O início das aulas foram adiados para o dia 11. No portão da escola mediam sua febre, te davam álcool em gel e só entrava quem estivesse usando máscara, e era obrigatório usar-las todo o tempo em que estivesse dentro da instituição. Diariamente iamos para a escola escutando as notícias, que nunca eram outras se não a gripe suína e o aumento constante de suas vítimas. Surge a primeira vítima na minha cidade, poucos dias depois, uma segunda, uma terceira, inclusive uma na minha escola. O total de vítimas no país já era quase de 300 pessoas, principalmente da Cidade do México (Distrito Federal), onde os restaurantes e boates já não abriam as portas a dias. Dos intercambistas brasileiros voltaram mais da metade, também alguns poucos alemães. O que diziam é que chegando ao Brasil passariamos por uma bateria de exames e ficariamos em observação por 1 ou 2 dias, e isso seria mais rígido se estivesse com gripe (normal) ou tosse. O fato é que a única coisa que foi feita com as pessoas recém chegadas do México foi o preenchimento de uma ficha com os dados pessoais e um pedido para que avisassem ao aeroporto se sentissem algum dos sintomas (já quando eu retornei, final de junho, nada disso estava sendo feito, era como se nunca tivesse existido a gripe). Na TV só ouviamos que já era pandemia, que a China cancelou vôos vindos do México, que não sei quais nem quantos países estavam querendo fazer o mesmo.
Quase um mês e 300 vítimas depois, o calor no México é sufocante, matando o vírus, enquanto no Brasil o frio começa, facilitando a sua reprodução e aumentando seu tempo de sobrevivência. O assunto "Influenza Porcina" já não passava na televisão nem se ouvia nas rádios. O pânico e o medo acabaram, abrindo espaço para o México voltar a normalidade. Já no Brasil apenas começava todo esse teatro... E eu já farta desse assunto.
p.s.: quando digo vítimas, me referi a vítimas fatais.
http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,MUL1113924-16726,00-ESTUDANTES+QUE+ESTAVAM+NO+MEXICO+VOLTAM+AO+BRASIL+POR+CAUSA+DA+NOVA+GRIPE.htmlComparação e Crítica das Midias
Professora Katiuscia Fogaça
Acadêmica Bárbara Gerhardt
2º Periodo de Publicidade e Propaganda

Interessante ver um relato que quem realmente viveu, pelo menos uma parte, da gripe no Mexico.
ResponderExcluirDa para ver a diferença de preocupação entre o Mexico e o Brasil.
Bom texto.
Edmar Prigol
2º PP
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirO texto da Barbara mostra exatamente o que outra conhecida minha relatou sobre os dias de gripe no México, ela também estava fazendo o intercâmbio pelo Rotary, mas decidiu retornar durante todos estes acontecimentos. Além dela, tenho uma amiga que fez intercâmbio aqui, ou seja, mora no México, e logo que anunciaram o lugar onde o vírus teria surgido, no estado de Vera Cruz, próximop à cidade de Orizaba, eu entrei em pânico em casa, pois é onde essa amiga mora, eu fiz de tudo para falar com ela e saber se era tudo isso que os jornais anunciavam no Brasil, e lógico, saber se ela e a família estavam bem. Depois de cerca de uma semana de ansiedade aqui, ela me responde o scrap no orkut, me tranquilizando e avisando que está tudo bem por lá. Nesse momento eu já não sabia se estava na hora de me desesperar, se a situação era realmente tão grave, ou não. E confesso, até agora não sei se era tão preocupante quanto os jornais relatavam!
ResponderExcluirComo sou do Interact Club, um programa vinculado ao Rotary, eu conheço muitas pessoas que fizeram, iam fazer e estavam fazendo o intercâmbio, e realmente foi assustador. Algumas pessoas estavam prestes a começar o intercâmbio, mas já não sabiam se ia acontecer devido a tanta preocupação, o Rotary poderia cancelá-lo, pois eles (Rotary/Rotarianos) são responsáveis pelo estudante durante a estadia fora do país de origem, uma dessas pessoas era a nossa colega, Ana Carla, que está quase indo para o México, por sorte tudo está mais calmo e ninguém perdeu a oportunidade, mas foi por pouco!
Como a Barbara falou, o calor veio no México, e já está chegando ao Brasil, e isso mata o vírus, mas como já foi comentado na mídia, sabemos que se o vírus não for realmente controlado logo, ele vai "passar" de um lugar para o outro, acompanhando o frio, repetindo seu ciclo, e o pior, cada vez com mais força. Agora nos resta aproveitar o verão e esperar para ver o que acontece no inverno.
Annelise C. Rhoden
2º Período - Publicidade e Propaganda
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ResponderExcluirBom texto esse sobre o vírus no méxico, realmente muito interessante sabermos de quem sentiu na pele o pânico da gripe suína.
ResponderExcluirVeridiana Maier
2º Período - Publicidade e Propaganda
Bárbara, muito legal esse teu relato.
ResponderExcluiro brabo é que no fim vc teve que continuar fugindo da grite aqui mesmo já tendo terminado lá, né
Bruna Marchioro
2° período - PP
Bem bacana seu testemunho mesmo! O ruim deve ser ter que "viver" o pânico de novo... E sobre a preocupação do México em relação ao Brasil, é notadamente diferente!
ResponderExcluirTamiris Bianca Pedrini
2º Período - Publicidade e Propaganda
Muito interessante e admiro a decisão de permancer no México mesmo com toda essa questão da gripe.
ResponderExcluirFrancielle Sayuri
2º Período - PP
Nossa, imagino o quanto deve ter sido chocante o modo como a informação chegou até vocês, que estavam lá no México.
ResponderExcluirAqui, em Cascavel, essa informação até que foi chegando aos poucos, creio que foi mais tranquilo, apesar de ter causado pânico em muitas pessoas. Mas como a Bruna disse, precisou fugir da gripe aqui também... Complicado.
Samara Anzolin
2º Período - PP
A humanização das narrativas midiáticas é resultado da visão relacionista da comunicação. Teorizar causa o afastamento, humanizar a empatia. Empatia estabelece laços, ligações. Mais uma vez estamos diante do paradigma relacionista...
ResponderExcluirProfa. Katiuscia Fogaça